Meu nome é Sarah Wainness, mas este nem sempre foi o meu nome. É apenas mais um, entre tantos que já tive. Minha infância foi feliz e simples, como a de qualquer criança da minha idade e do meu bairro em Karnobat, Bulgária. Éramos uma família de cinco irmãos, incluindo eu. Papai, um homem muito bom, enérgico e religioso, frequentava a sinagoga, enquanto mamãe trabalhava em casa, cuidando de tudo e de todos nós. Após recebermos uma herança de um tio falecido que morava em Berlim, mudamos para lá e, ao chegar, deparei-me com uma realidade totalmente diferente da que eu conhecia. Meus sonhos desabrocharam em contato com a cidade. Um deles, tive que manter em segredo: eu queria ser bailarina. Sempre pegava as roupas da mamãe, escondida, e rodopiava no fundo do quintal, vendo tudo ao meu redor mudar. Isso me fazia feliz. Mas, um dia, meus sonhos desmoronaram e minha vida mudou completamente: os nazistas invadiram nossa casa, e fui levada para um lugar de prostituição.
Meu nome é Sarah Wainness, e já morei no Beco da Ilusão.

Ficha Técnica:

Páginas: 280 | Gênero: Histórico; Literatura Brasileira; Ficção | Formato: Físico; Digital | Editora: Mundo Uno | Edição: 1ª | ASIN: 978-85-67218-06-9 | Idioma: Português | Ano: 2016

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“Roubaram-nos a liberdade de expressão, tornando-nos fantoches na mão do Estado. Não podíamos falar nem escrever aquilo que pensávamos. Não podíamos ter uma opinião, ou, pelo menos, ela não poderia se tornar pública, existindo apenas na nossa mente.”
Gente, não estou sabendo nem começar a resenha deste livro. Não, não é porque ele é ruim, é porque ele é MUITO BOM. A História de Yidish é intensa e incrivelmente emocionante. É uma leitura simplesmente estupenda! Bem, a sinopse já faz um resumo bem completo do livro e qualquer informação a mais que eu colocar aqui será um spoiler (rsrs), mas vou tentar contar um pouquinho da história para vocês.

O livro começa com Sarah Wainness indo para uma apresentação de balé, e mal sabia ela que a apresentação seria sobre a sua vida. Com o início do ato as lembranças de sua infância e de todo o sofrimento vem à tona. Logo nos primeiros capítulos, a gente já começa a se encantar e se envolver completamente com a história.

Yidish vivia com sua família em Karnobat, na Bulgária, porém seu pai recebeu uma herança de um falecido tio, e para que pudesse dar continuidade aos negócios que herdou, toda a família teve que se mudar para Berlim. O que ninguém esperava era o quanto essa mudança afetaria a vida deles, o tamanho do sofrimento que traria para todos.

“O motivo de eu parecer alemã e de ser tão diferente do resto da minha família continuava um mistério para mim; contudo, nas atuais circunstâncias, era até bom. Eu podia ser os olhos da minha família e cuidar de todos.”
Em Berlim, Yidish já estava ficando encantada pela cidade e começou a gostar mais ainda depois de descobrir que perto da gráfica de seu pai tinha um teatro e sempre tinha apresentações de balé, de imediato ela se apaixonou pela dança e criou o sonho de ser bailarina, mas nem tudo acontece da forma que esperamos, não é?

Os sonhos dessa garotinha foram esmagados quando os nazistas invadiram sua casa e a separou de sua família. Por sorte, e sem saber, Yidish parecia alemã e graças, ou não, a um segredo revelado, ela pôde sobreviver em meio à guerra. E então, começamos a conhecer a luta diária dela e passamos a sentir todas as suas angustias, tristezas e sofrimento. 

“A escuridão lentamente banhou a noite, encobrindo o brilho das estrelas e mergulhando-nos em infinita tristeza. Os pesadelos tomavam conta, tornando-nos incapazes de sonhar.”
A maioria das histórias que li e que envolve a segunda guerra mundial era a visão do lado oposto de Hitler, soldados e cidades que lutavam contra o nazismo e neste livro temos o contrário, soldados que lutam a favor do Fürher, mesmo sem concordar com suas ideias, e eu acho que isso que me deixou mais impressionada com a trama. Ler sobre o quão esse cara era cruel, foi demais para mim, eu só conseguia pensar em como uma pessoa pode ser tão egoísta e tão mesquinha. Não consigo imaginar uma pessoa que seja ardilosa dessa forma.

Enfim, no início de capítulo a autora cita uma frase de Hitler e uma foto da tragédia que foi a guerra, e isso deixou o enredo mais real e eu acabei me apegando e criando uma empatia com a personagem e no fim, não foi uma simples leitura, vivi e sofri com Yidish, Dalina, Bertha, Nuria e Sarah! E o final... que final! Eu tinha a esperança de fosse mais feliz, mas foi o fim necessário. Contudo, digo para vocês que a primeira coisa que me chamou atenção foi a capa. Sim, fiquei intrigada com a capa e logo depois com o título, bateu aquela curiosidade e eu só queria saber que beco era esse e o que tinha acontecido. 

Bom, já falei demais desse livro né, vou deixar vocês com a vontade gigante de ler e descobrir a história de Sarah. Eu super indico essa leitura sensacional, que me deixou vidrada a cada virada de página, e espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei. 

“Fiquei me perguntando o que aquelas pessoas indefesas teriam feito contra o Führer para merecerem tal vida. A resposta surgiu num estalo. Nada. Não fizeram nada. Tinham apenas nascido.” 




Sobre a autora:



Nasceu no interior de Minas Gerais, sob o signo de aquário. Apaixonada pelos seus anjos de quatro patas (meus mestres, minha vida), sem os quais não saberia viver. Mãe coruja da Nanda (a luz dos meus olhos), para quem dedica todos os seus livros.
Leitora ávida, sonhadora quase em tempo integral, adora livros de fantasia, ficção científica e sobrenaturais. Gosta de ver filmes, seriados e principalmente animes. É uma pessoa emotiva, que chora fácil, que ri fácil e que adora escrever. Tem livros e contos publicados, tanto em formato físico quanto em digital.







Um Comentário

  1. Olá!
    Também senti diversas emoções, desde as felizes até as mais angustiantes. Mallerey Calgara se superou neste livro, como disse em minha resenha, senti como se ela tivesse feito parte dessa amarga fase e estivesse nos narrando toda a tragédia. Ela foi estupenda!
    Adorei sua resenha, parabéns!
    Abs
    Nizete
    Cia do Leitor

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