A casa da família Edevane está pronta para a aguardada festa do solstício de 1933. Alice, uma jovem e promissora escritora, tem ainda mais motivos para comemorar: ela não só criou um desfecho surpreendente para seu primeiro livro como está secretamente apaixonada. Porém, à meia-noite, enquanto os fogos de artifício iluminam o céu, os Edevanes sofrem uma perda devastadora que os leva a deixar a mansão para sempre.
Setenta anos depois, após um caso problemático, a detetive Sadie Sparrow é obrigada a tirar uma licença e se retira para o chalé do avô na Cornualha. Certo dia, ela se depara com uma casa abandonada rodeada por um bosque e descobre a história de um bebê que desapareceu sem deixar rastros.
A investigação fará com que seu caminho se encontre com o de uma famosa escritora policial. Já uma senhora, Alice Edevane trama a vida de forma tão perfeita quanto seus livros, até que a detetive surge para fazer perguntas sobre o seu passado, procurando desencavar uma complexa rede de segredos de que Alice sempre tentou fugir.
Em A casa do lago, Kate Morton guia o leitor pelos meandros da memória e da dissimulação, não o deixando entrever nem por um momento o desenlace desta história encantadora e melancólica.
Ficha Técnica:
Páginas: 464 | Gênero: Literatura Estrangeira; Romance; Suspense e Mistério; Ficção |  Formato: Impresso, E-book | Editora: Arqueiro | Edição: 1ª | ISBN: 9788580417272 | Idioma: Português | Ano: 2017

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Surpreendente! Acho que esta é a melhor palavra para descrever este livro. A Casa do Lago foi uma leitura surpreendente para mim em vários sentidos, porém, a maior surpresa de todas foi me ver totalmente envolvida em uma história cujo o gênero eu não costumo ler: Mistério e Suspense. Quando decidi ler esse livro, eu fiquei com um certo receito, pois, como disse antes, este não é o estilo de leitura que costumo fazer, mas, me encantei com a capa (sim, “comprei” o livro pela capa!), e não nego que a sinopse e toda propaganda feita pela editora ajudaram a aguçar ainda mais a minha curiosidade, e, por isso, resolvi me arriscar. Com toda a certeza, essa foi a melhor decisão que eu poderia ter tomando! Saí completamente da minha zona de conforto e o resultado foi extremamente satisfatório.



“(...) o amor nos dá coragem para resistir àquilo que nunca julgamos possível.”
Na trama, vamos acompanhar um caso que aconteceu no ano de 1933, em Cornualha, onde o filho mais novo da família Edevane, Theo, de apenas onze meses, desaparece misteriosamente durante a celebração do solstício de verão. A tradicional festa organizada pela família era muito aguardada, e a residência onde eles moravam, Loeannath, conhecida como a casa do lago, era enfeitada e preparada com afinco para a celebração, mas, naquele ano, eles foram marcados com uma perda irreparável. Muitas buscas e investigações foram realizadas, mas nada foi encontrado, e sem ter uma solução o caso foi arquivado. Depois desse episódio assolador, a família nunca mais foi a mesma, e por fim, resolveram trancar a mansão e se mudar permanentemente para Londres.

Setenta anos depois, mais precisamente no ano de 2003, após de um incidente no caso que estava trabalhando, a detetive Sadie Sparrow é forçada a tirar uma licença, e para se manter afastada, ela vai passar um tempo com seu avô, em Cornualha. Durante uma de suas corridas diárias, acompanhadas dos inseparáveis cães de seus avô, Ash e Ramsay, ela se depara com uma casa abandonada em meio ao bosque, completamente deteriorada pelo tempo, mas que demonstra que um dia foi dona de uma beleza inigualável. Tudo naquele lugar chama a atenção de Sadie, algo ali lhe atraia para perto, como se quisesse que ela desvendasse todos os seus segredos, e quando descobre que aquele local foi cenário de um misterioso desaparecimento que nunca teve um desfecho, todos os seus instintos ficam em alerta. A detetive que existe dentro dela fala mais alto e ela então começa a investigar por contra própria o caso do garotinho que sumiu inexplicavelmente. Decidida a desvendar o que há por trás desse mistério, Sadie começa a buscar pistas, e com ajuda de alguns moradores da cidade ela consegue algumas informações preciosas, principalmente com Clive, o primeiro detetive do caso, que torna-se seu principal aliado nessa investigação. Até que descobre o paradeiro de uma das filhas do casal Edevane, Alice, que estava presente no solstício daquele ano, e esta pode ser mais uma peça para ajudá-la a desvendar esse quebra-cabeça. 


“A superfície plena do lago brilhava de forma secreta e ardilosa; Sadie de repente se sentiu uma intrusa. Era difícil dizer o que lhe dava tanta certeza, mas, quando se virou para sair, atravessou o buraco na sebe e começou a seguir os cães para casa, ela soube, com aquele frio na barriga – que como detetive de polícia, era bom que tivesse desenvolvido –, que algo terrível acontecera naquela casa.”

Alice Edevane hoje é uma famosa escritora de romances policiais, e, aos oitenta e seis anos, ela leva uma vida regrada e pacata. Na época da fatalidade ela era apenas uma sonhadora jovem de dezesseis anos, que estava empolgada escrevendo seu primeiro livro e encantada com seu primeiro e proibido amor, Benjamin Munro, o jardineiro da família. Alice sempre foi uma menina esperta e observadora e nada passava despercebido por seus olhos e ouvidos atentos. Após a fatídica noite que mudou completamente a vida de sua família, Alice também não foi mais a mesma, e durante todos esses anos, aguardou consigo muitos segredos daquela época e que agora estavam ameaçados por uma detetive que estava tentando desvendar o passado que ela tanto queria deixar guardado.

 
Tentei ao máximo não entrar muito nos detalhes na história, qualquer coisinha a mais e poderia ser considerado um spoiler, e eu não queria isso. Essa trama é tão bem elaborada, tão bem construída, que você merece ir conhecendo os fatos de acordo com os acontecimentos, e te garanto que será surpreendente (olha essa palavra aqui novamente! Rs). Acho que nada do que eu disser aqui nessa resenha será o suficiente para fazer jus a essa obra magnífica. Ainda continuo eufórica com o livro, com tudo o que li e senti, mesmo depois de alguns dias da finalização da leitura. Sem dúvida alguma, essa foi uma das leituras mais incríveis que fiz esse ano, uma surpresa impressionante que me marcou de uma forma sem igual.


“Não era tanto a descoberta de uma única pista, mas a reunião de muitos pequenos detalhes. (...) Porque, de repente, Sadie pôde ver como tudo estava ligado e soube o que tinha acontecido naquela noite.”

Kate Morton nos guia com maestria por essa história cheia de mistério, segredos, artimanhas e reviravoltas; narra tudo com tanto detalhe, que é possível se imaginar dentro dos cenários descritos com tanta riqueza. A autora tem um modo único de fazer o leitor se envolver na história, ela instiga, desafia, estimula, incita, dá asas a nossa imaginação e combustível para nossas teorias. Mas, não se engane, quando você pensa que descobriu alguma coisa, tudo muda no capítulo seguinte, tornando cada experiência ainda mais fascinante. A história já se inicia de maneira tensa e instigante, e a partir dali, é impossível não se envolver, não se ver absorta nesse enredo brilhante. A cada nova descoberta você estará mais atraído, mais obstinado a desvendar cada detalhe, e mesmo que tente, pausar a leitura será muito difícil, e enquanto não estiver lendo, ela ainda estará na sua cabeça, tomando conta dos seus pensamentos.

A trama alterna entre passado e presente, unido os acontecimentos com perfeição sem deixar nenhuma ponta solta, tudo se completando plenamente. É fato dizer que o enredo não envolve apenas uma história, na verdade, existem muitas outras paralelas, mas que se unem de alguma forma. Os personagens são enigmáticos, cada qual com suas qualidades e defeitos, fascinantes em suas particularidades. A maneira como ela explorou esses personagens, expondo seus receios, sentimentos e personalidades, faz com que o leitor tenha um vínculo com eles, torne-se ligados a eles. Os Capítulos que se passavam no passado da família Edevane, revirando suas memórias, me despertavam certa melancolia, era como se eu tivesse vivido naquela época, participado daquela história. Simplesmente incrível!


“O mundo tinha sua própria maneira de manter a balança em equilíbrio. Os personagens culpados podem escapar à acusação, mas nunca escapam à justiça.”

A Casa do Lago é uma história memorável, cheia de detalhes e coisas escritas nas entrelinhas. Um livro delicioso que oferece ao leitor uma experiência única de leitura. Digo e repito, essa trama é surpreendente em todos os sentidos. Leia, deixe-se envolver por ela, mesmo que a obra não seja o seu estilo literário favorito, tenho certeza que você não irá se arrepender. Veja bem o caso da amiga aqui, que está até agora deslumbrada.


E para finalizar, não posso deixar de falar sobre a parte física do livro. O trabalho realizado pela Editora Arqueiro está impecável como sempre. O exemplar está lindo, possui uma diagramação singela e uma capa lindíssima. Vale cada centavo do investimento. Ostentação máxima na estante!





Sobre a autora:





Kate Morton é uma autora premiada e frequenta as listas de mais vendidos em todo o mundo. Seus livros venderam mais de 10 milhões de exemplares em 42 países, sendo traduzidos para 34 idiomas diferentes. Criada nas montanhas de Queensland, na Austrália, ela é formada em arte dramática e literatura inglesa, especializada em tragédias do século XIX e romances góticos contemporâneos. Atualmente vive com o marido e os filhos em Londres.

Conheça o hotsite do livro:    A CASA DO LAGO   











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