Em 1890, depois de um escândalo que afetou sua reputação, Charlotte Pauly deixa Berlim e vai lecionar para a pequena Emily, em Chalk Hill, uma mansão vitoriana nos arredores de Londres. Charlotte logo percebe uma estranha atmosfera na antiga casa. A menina de 8 anos é sempre atormentada por pesadelos e visões fantasmagóricas da mãe, que se afogou no rio da propriedade em circunstâncias misteriosas. Quando Charlotte tenta saber a respeito da morte de Lady Ellen, o pai de Emily, Sir Andrew, reage com hostilidade. Com tudo envolto em um grande mistério, somente com a ajuda de Tom Ashdown, um jornalista londrino designado para investigar o caso, é que Charlotte poderá verificar o que há por trás dos fenômenos sobrenaturais que assolam a mansão e descobrir uma trágica verdade escondida nas paredes de Chalk Hill.

Ficha Técnica:
Páginas: 424 | Gênero: Ficção; Romance; Mistério e Suspense; Literatura Estrangeira |  Formato: Impresso | Editora: Jangada | Edição: 1ª | ISBN: 978-8555390883 | Idioma: Português

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“A sala tinha uma decoração tão sombria quanto o restante da casa. A metade esquerda estava oculta, mas a uma mesa percebeu Mrs. Ingram, que estava sentada de costas para ela, e outra mulher. O cômodo era iluminado apenas por três velas brancas, que ardiam em cima da mesa. Ambas as mulheres mantinham um dedo sobre um copo emborcado que estava entre elas sobre a mesa. A mulher desconhecida estava com os olhos fechados e movia os lábios. ”

Eu sempre disse que não gostava de livro de época, até que li Mistério em Chalk Hill e percebi que eu não gosto, é de um simples romance de época, tem que ter um mistério, um suspense para me prender. E esse livro tem tudo isso! Fiquei tão envolvida na leitura que consegui “matar a charada” antes da personagem (haha). Simplesmente amei!

Charlotte Pauly trabalha como professora particular, naquela época era muito comum as crianças, de famílias ricas, terem uma professora em casa para lhes ensinar as matérias, e no caso das meninas, a ser uma dama. Para fugir de seu passado, ela decide sair da Alemanha, e para a sua felicidade, consegue um trabalho como preceptora (educador, mentor, instrutor), na Inglaterra, de uma garotinha chamada Emily. Miss Pauly só quer deixar a vergonha e a tristeza para trás e começar uma nova vida. Ela só não esperava que seria uma vida tão agitada.

Na mansão, em Chalk Hill, Charlotte percebe que seu trabalho não será tão simples assim, terá como empecilho o pai da garotinha, Andrew Clayworth que é um deputado e viaja bastante, além de ser um homem muito fechado. E tem também a babá de Emily, que não ficou muito feliz com a presença da preceptora. Agora ela precisa contornar a situação com a babá e mostrar para o Sr. Clayworth que merece o trabalho.


“(...) – Volte a dormir, Emily. Vou fechar a janela. Aliás, por que a abriu? Ainda está ventando e chovendo.
- Não a abri – disse a menina com voz sonolenta.”

“Charlotte trancou as janelas, deixando o temporal do lado de fora, e lançou um olhar carinhoso para a menina, antes de fechar as cortinas. Já estava se encaminhando em silêncio para a porta, quando seu olhar pousou no chão, ao lado da cama. Ela se inclinou e tocou o tapete. Uma mancha úmida. Cheirou a mão. Água, apenas água.

“ Permanecera acordada por um bom tempo depois de voltar ao seu quarto. Era natural que crianças tivessem pesadelos, sobretudo depois de sofrerem uma perda difícil, como era o caso de Emily, mas havia algo estranho. ”

Logo nas primeiras noites, Charlotte percebe que tem alguma coisa estranha acontecendo na casa, sempre que Emily vai dormir a janela do quarto é fechada, mas em certo momento da noite, a menina tem pesadelos e quando alguém vai socorrê-la, a janela está aberta. Emily, uma linda garotinha de oito anos, insiste que vê a mãe nessas noites. 

Quando Charlotte se mudou para Chalk Hill a única coisa que sabia era que Lady Ellen Clayworth tinha falecido meses antes, e ao sondar alguns empregados descobriu que o Sr. Clayworth não permitia que o nome da esposa fosse dito naquela casa. Então, Miss Pauly deduziu que os pesadelos de Emily com a mãe fossem tristeza reprimida e que a garota fosse sonâmbula. 

Mas com os pesadelos correntes de Emily, Charlotte não vê alternativa a não ser perguntar na cidade algumas coisas sobre a falecida e teve uma certa dificuldade, pois as pessoas evitavam o assunto e não passavam muitas informações sobre a misteriosa morte de Ellen. Aos poucos descobriu que a mulher do deputado tirou a própria vida, mas a custo de que? E por quê?

“Não é uma lápide propriamente dita. Aqui não há ninguém enterrado. O corpo de Lady Ellen nunca foi encontrado.”

“Sua suspeita havia se confirmado. Lady Ellen Clayworth teria tirado a própria vida. Isso explicava muitas coisas, principalmente o porquê de seu marido ter enterrado sua lembrança sob uma couraça de silêncio. Mas também conduzia a outra e insistente pergunta: por que ela teria dado esse passo?. ”

“Quando ficava ali sentada, em silêncio, oi deitada na cama, acordada, às vezes tinha a impressão de sentir uma presença, algo que no início não estivera ali. Charlotte era uma pessoa racional e se repreendia por esses pensamentos insanos, mas a ideia de algo sinistro se tornou cada vez mais intensa. ”

Paralela a história de Charlotte em Chalk Hill, temos a história de Thomas Ashdown, um famoso de teatro. Sua esposa Lucy faleceu cedo e às vezes ele tinha a sensação que ela estava perto dele, chegou a consultar uma médium, mas nada do que a mulher falou parecia ser real, na verdade, parecia que ela dizia aquilo a todos que a procuravam. E com essa experiência ruim, ele percebeu que na verdade, essas pessoas queriam mesmo era tirar o dinheiro das outras, pois a representação da mulher foi “barata e insuportável” e resolve deixar essa história de lado, não acreditando mais nessa coisa de contato com os espíritos.

Um belo dia, para tentar ajudar a irmã de uma amiga, ele resolve ir a uma apresentação de um médium só para descobrir que ele não passa de um charlatão que quer tirar dinheiro da mulher. Dito e feito! O cara não passava credibilidade nenhuma e não fez nada que prendesse a atenção de Thomas. Na saída da apresentação uma mulher o parou e o reconheceu, sendo ele um famoso crítico teatral. Então ela o apresentou a Society for Psychical Research, uma sociedade que se dedica à pesquisa científica de fenômenos sobrenaturais, trabalham desmascarando charlatões e impostores. E em uma breve conversa ele aceita fazer parte da sociedade.

Enfim, com tanto mistério rondando Chalk Hill, Charlotte não tem saída e resolve abrir o jogo com o Sr. Clayworth. Então, em uma de suas viagens para a capital, se encontra com um médico e esse indica Thomas Ashdown para tentar solucionar o suspense que ronda sua casa.


“A ideia de espíritos pareceu tão absurda a Charlotte que ela teria preferido rir, mas o riso ficou preso em sua garganta. Tratava-se do bem-estar de uma criança que era importante para ela. Independentemente do que Sir Andrew fizesse e por mais estranhos que pudessem parecer seus esforços, Charlotte se manteria firme. Ficaria em Chalk Hill, ao lado de Emily, e descobriria o que havia acontecido naquela casa. ”

Eu adoro livros de romance e mistério, policial, terror. Sou viciada nessas tramas e Mistério em Chalk Hill entrou para a minha lista de histórias favoritas. Tudo bem que o início é um pouquinho parado, mas se não tem esse início a gente não entende algumas coisas nos capítulos para frente. Depois que a leitura pega aquele impulso é impossível largar o livro, e só não cheguei no fim surpresa com o desenrolar da história, porque na verdade, eu já tinha deduzido um pouco dos acontecimentos, mas mesmo assim foi uma leitura impressionante, e ainda teve aquele romancezinho leve no final para deixar a gente mais encantada pelo livro.

A primeira coisa que me chamou atenção no livro foi o título, pensei: “Epa! Tem ‘mistério’ no título então deve ser bom”. Aí corri na sinopse e me encantei, só queria loucamente ler esse livro. A capa só ajudou ainda mais a dar aquele ar de suspense. Gostei demais do trabalho da Editora Jangada nesse livro. A autora conseguiu montar um enredo impressionante, não deixando nenhum ponto solto. Acho bacana quando a história vem em terceira pessoa, a gente consegue ter uma visão geral, sem se concentrar em uma ou outra pessoa. Bom, é isso. Livro recomendadíssimo!










Sobre a autora:
Nascida em 1967, SUSANNE GOGA é autora e tradutora literária renomada. Em 2012, com o romance Die Sprache der Schatten, obteve o prêmio literário DeLiA, da Associação de Autores Alemães de Literatura Romântica. Mora com a família em Mönchengladbach, na Alemanha.










4 Comentários

  1. Heiii, tudo bem?
    Como vc tb amo um suspense e romance, mas esse tem um toque de terror, que eu fujo as vezes, sou medrosa, hehe.
    Ainda nao conhecia o livro, mas fiquei intrigada pra saber o final.
    Quem lê mto esse tipo de livro, acaba deduzindo mesmo o final, mas que bom que o livro te satisfez, eu vou tentar ler depois.
    Beijos.

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  2. Olá!

    Amo suspense, mas se é de época, já não curti tanto. Vi um site na internet que recomendava obras dessa autora, vou dar uma pesquisada e encontrar outros títulos dela. Obrigada pela dica!

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  3. Oi, Mary
    Eu já adoro romance de época de qualquer jeito e se tem bastante mistério assim, melhor ainda, né? Sabe que ainda nem conhecia o livro, mas adorei a dica diante de tantos elogios e saber que gostou tanto.
    Dica anotada, gostaria muito de ler.

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  4. Olá! Que bacana você ter logo "matado a charada" de que gosta de romances de época que contenham suspense! Fiquei curiosa para saber como esse charlatão consegue enganar as pessoas. Alguns livros são assim mesmo, começam parados e depois não conseguimos largar a leitura. A capa realmente já denuncia o mistério presente no livro, fiquei curiosa pela leitura.
    Beijos!
    Karla Samira
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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