Olha quem está chegando por aí, minha gente!

Segundo a Editora Valentina, o lançamento do quarto livro da Saga Lux, Originais, da autora Jennifer L. Armentrout, está previsto para o mês de novembro desse ano. Já está logo aí, aguenta coração! 


Nada o impedirá de salvá-la!
Sinopse: Daemon fará o que for preciso para ter a Katy de volta.
Após a bem-sucedida, porém desastrosa, incursão a MountWeather, ele está tendo que encarar o impensável. Katy foi capturada. Sua única meta agora é encontrá-la. Destruir qualquer um que se ponha em seu caminho? Com todo prazer. Incendiar o planeta inteiro para salvá-la? Moleza. Expor sua própria raça ao mundo? Sem problema.
Tudo o que a Katy pode fazer é sobreviver.
Cercada por inimigos, a única maneira que ela tem de sair dessa é se adaptando. Afinal, nem todas as facetas do Daedalus são totalmente malucas, embora os objetivos do grupo sejam assustadores e as verdades propagadas ainda mais perturbadoras. Quem é de fato o inimigo? O Daedalus? A humanidade? Ou os Luxen?
Juntos, eles podem encarar o que vem pela frente.
No entanto, a pior de todas as ameaças esteve escondida o tempo inteiro. Quando as verdades vierem à tona e as mentiras forem enfim desmascaradas, de que lado o Daemon e a Katy decidirão ficar? E será que eles conseguirão, pelo menos, continuar juntos?

Ficha Técnica:
Páginas: 384 | Gênero: Romance; Fantasia; Young Adult; Ficção; Literatura Estrangeira | Formato: Impresso; eBook | Edição: 1ª | ISBN: 978-85-5889-056-4 | Editora: Valentina | Idioma: Português | Ano: 2017



“De dilemas cotidianos, nos quais você consegue se identificar com uma adolescente viciada em romances, a uma mitologia contemporânea que transforma aliens em seres sobrenaturais apaixonantes, a Saga LUX mostra que extraterrestres podem evoluir ao se tornarem mais humanos e uma garota comum pode se mostrar uma verdadeira heroína. É simplesmente incrível!” - KABOOK TV


Livros já lançados PELA EDITORA VALENTINA


Onde Comprar    OBSIDIANA, LIVRO 01       ÔNIX, LIVRO 02       OPALA   





Sobre a autora:

Best-seller internacional com mais de 1 milhão de livros vendidos e número 1 da lista do NewYork Times, Jennifer L. Armentrout vive em Martinsburg, West Virginia. Quando não está concentrada escrevendo, ela passa o tempo lendo, assistindo a filmes B de zumbi e curtindo ao lado do marido e do seu jackrussell, Loki.

O sonho de virar uma escritora começou na aula de álgebra. Ela passava a maior parte do tempo escrevendo contos – o que explica as péssimas notas em matemática. Jennifer é autora de paranormais para jovens, ficção científica e fantasia. Obsidiana (1º livro da Saga LUX) foi vendido para o cinema, enquanto Covenant será transformada em série de TV. Um de seus livros, Não Olhe para Trás, foi escolhido em 2014 a melhor ficção para jovens pela Young Adult Library Services Association (YALSA).

Jennifer também escreve romances adultos contemporâneos e paranormais, usando o pseudônimo de J. Lynn.








Enquanto Originais não chega, leia o primeiro capítulo do livro, cedido pela Editora Valentia:



BÔNUS:  1º CAPÍTULO


Katy

Eu estava pegando fogo de novo. Pior do que quando havia ficado doente por conta da mutação ou de quando tivera ônix borrifado na cara.As células mutantes no meu corpo ricocheteavam como se quisessem furar a pele. Talvez quisessem.Era como se minhas entranhas estivessem expostas. Uma leve umidade cobria minhas bochechas.
Lágrimas, percebi com alguma dificuldade.
Lágrimas de dor e de raiva — uma fúria tão possante que me deixavacom um gosto de sangue no fundo da garganta. Talvez fosse isso mesmo.Talvez eu estivesse me afogando no meu próprio sangue.
Não me lembrava muito bem do que havia acontecido após as portas se fecharem. As últimas palavras do Daemon assombravam todo e qualquer momento de consciência. Eu te amo, Kat. Sempre te amei e sempre te amarei.
Escutara, então, uma espécie de chiado quando as portas se fecharam e mevira sozinha com os Arum.
Acho que eles tinham tentado me comer.
Tudo ficou subitamente preto, até que acordei neste mundo onde o simples ato de respirar era um sofrimento. Pensar na voz dele, em suas palavras, aplacou parte da dor. Mas então me lembrei do sorriso do Blake enquanto segurava o colar com a opala — meu colar; o que o Daemon havia feito para mim antes de partirmos para a incursão — e a raiva aumentou. Eu tinha sido capturada e não sabia se meu namorado havia conseguido escapar com o resto dos nossos amigos.
Não sabia de nada.
Forcei-me a abrir os olhos, piscando ao ser ofuscada pelas luzes fortesque reluziam acima. Por um momento, não consegui distinguir nada.Tudo parecia estar envolto numa espécie de halo. Por fim, minha visãoclareou e consegui enxergar um teto branco atrás das luzes.
— Ótimo. Você acordou.
Apesar da queimação terrível, meus músculos tencionaram ao escutara desconhecida voz masculina. Tentei me virar na direção do som, masuma dor excruciante se espalhou pelo meu corpo, fazendo meus dedos dospés se contraírem. Não conseguia mexer o pescoço, os braços ou as pernas.
Meu sangue gelou. Estava presa por algemas nos pulsos e nos tornozelos,e uma coleira no pescoço, tudo revestido em ônix. A súbita sensação de pânico me roubou o ar dos pulmões. Pensei nos hematomas que o Dawson tinha visto no pescoço da Beth e estremeci com um misto de revolta e medo.
Escutei o eco de passos se aproximando e, de repente, um rosto bloqueou a luz. Era um sujeito mais velho, por volta dos cinquenta, e seus cabelos escuros cortados rente à cabeça eram entremeados por fios grisalhos.Ele usava um uniforme militar verde-escuro. Três fileiras de coloridas comendas decoravam o lado esquerdo do peito, enquanto o direito ostentava um emblema de águia com as asas abertas. Mesmo em meio à confusão e à dor, percebi que o sujeito era importante.
— Como está se sentindo? — perguntou ele numa voz sem entonação.
Pisquei lentamente, imaginando se o cara estava falando sério.
— Tudo… tudo dói — grunhi.
— É por causa das algemas, mas acredito que você já saiba. — Estendeuo braço para algo ou alguém atrás dele. — Tivemos que tomar certas precauçõesao transportá-la.
Me transportar? Encarei-o, o coração acelerado. Onde diabos eu estava? Ainda em MountWeather?
— Eu sou o sargento Jason Dasher. Vou soltá-la para que possamos conversare examiná-la. Está vendo aqueles pontos escuros no teto? — perguntou.Acompanhando o olhar dele, vi alguns pontos quase imperceptíveis. — É umamistura de ônix e diamante. Você já conhece o efeito, portanto, se tentar nosatacar, a sala inteira será imersa numa nuvem de ônix. Qualquer tolerânciaque tenha conseguido desenvolver será inútil aqui.
A sala inteira? Em MountWeather, ele tinha sido apenas borrifadonos nossos rostos. Não liberado num fluxo incessante.
— Você sabia que os diamantes possuem o maior índice de refração daluz? Embora não provoquem a mesma dor que o ônix, em grandes quantidadese aliado ao ônix, eles possuem a capacidade de drenar um Luxen,deixando-o incapaz de recorrer à Fonte. O efeito será o mesmo em você.
Bom saber.
— Como medida de precaução, a sala também é revestida — continuouele, os olhos castanho-escuros fixos nos meus. — Para o caso devocê conseguir, ainda assim, invocar a Fonte ou atacar qualquer membroda minha equipe. Com vocês, híbridos, nunca sabemos a extensão dosseus poderes.
No momento, não acreditava que seria sequer capaz de me sentar semajuda, que dirá dar uma de ninja para cima de alguém.
— Entendeu? — Ergueu o queixo enquanto esperava. — Nãoqueremos machucá-la, mas iremos neutralizá-la caso você nos ameace.Compreendeu, Katy?
Eu preferia não responder, mas queria me livrar daquelas malditasalgemas.
— Sim.
— Ótimo. — Ele sorriu, mas o sorriso pareceu meio forçado e nãomuito amigável. — Não queremos vê-la com dor. Não é disso que se tratao Daedalus. Não somos torturadores. Você pode não acreditar agora, mastemos esperanças de que venha a compreender nosso propósito. A verdadepor trás da nossa existência e da dos Luxen.
— É meio difícil… acreditar nisso agora.
O sargento Dasher pareceu aceitar a resposta e estendeu a mão emdireçãoa algum ponto debaixo da mesa. Seguiu-se um clique alto e, então,as algemas e a coleira se abriram automaticamente.
Com um suspiro trêmulo, ergui lentamente um dos braços. Meu corpo inteiro alternava entre pontos de dormência e hipersensibilidade.
Ele pousou uma das mãos no meu braço, fazendo-me retrair.
— Não vou te machucar — disse. — Só quero ajudá-la a se sentar.
Levando em conta que eu não tinha qualquer controle sobre meusmembros trêmulos, não estava em condições de protestar. Em questão desegundos, o sargento me colocou sentada. Agarrei-me às beiradas da mesapara me firmar e inspirei fundo algumas vezes. Minha cabeça pendia dopescoço como um fio de espaguete cozido demais, e meus cabelos, caídosem torno do rosto, bloquearam por um momento a visão da sala.
— Você deve estar um pouco tonta. Vai passar logo.
Ao erguer a cabeça, vi um homem baixo e careca, vestido com umjaleco branco, parado ao lado da porta de um preto tão brilhante querefletiatodo o interior da sala. Ele segurava um copinho de papel numadas mãos e o que me pareceu uma braçadeira de um medidor de pressãoarterial na outra.
Corri os olhos lentamente pela sala. Mais parecia um estranho consultóriomédico, repleto de mesinhas com instrumentos cirúrgicos, armáriose tubos pretos presos às paredes.
Ao receber um sinal do sargento, o homenzinho de jaleco se aproximou da mesa e, com cuidado, trouxe o copo até minha boca. Bebi avidamente.A água gelada aplacou um pouco a queimação em minha garganta,mas bebi rápido demais e acabei com um acesso de tosse ao mesmo tempo alto e dolorido.
— Sou o dr. Roth, um dos médicos da base. — Ele botou o copo delado e, metendo a mão no bolso do jaleco, puxou um estetoscópio. — Vouapenas auscultar seu coração, ok? E, em seguida, medir sua pressão arterial.
Contraí-me novamente ao senti-lo pressionar o metal gelado contraminha pele.
Ele, então, o posicionou em minhas costas.
— Inspire fundo. — Acatei a ordem, e o médico repetiu as instruções.— Ótimo. Agora, estique o braço.
Obedeci de novo e imediatamente reparei no vergão vermelho quecircundava meu pulso. Havia outro idêntico em torno da outra mão. Engoliem seco e desviei os olhos. Estava prestes a ter um colapso nervoso, o quesó piorou quando fitei o sargento. Seus olhos não eram exatamente hostis,mas pertenciam a um estranho. Eu estava absolutamente sozinha — comestranhos que sabiam o que eu era e que tinham me capturado com umpropósito.
Minha pressão devia estar nas alturas, a julgar pelo pulsar em minhasveias e pelo aperto em meu peito, o que não podia ser bom sinal. Ao sentira braçadeira começar a desinflar, inspirei fundo diversas vezes e perguntei:
— Onde estou?
O sargento Dasher entrelaçou as mãos atrás das costas.
— Nevada.
Olhei para ele e, em seguida, para as paredes — completamente brancas exceto pela profusão de pontinhos pretos brilhantes.
— Nevada? Isso… isso fica do outro lado do país. Num fuso horáriodiferente.
Silêncio.
De repente, a ficha caiu. Deixei escapar uma risada estrangulada.
— Área 51?
Seguiu-se outro momento de silêncio, como se eles não pudes sem confirmar a existência de tal lugar. Maldita Área 51. Não sabia se devia rir ou chorar.
O dr. Roth soltou a braçadeira.
— A pressão dela está um pouco alta, mas já era de esperar. Gostariade fazer um exame mais minucioso.
Imagens terríveis de apalpadas e espetadelas invadiram minha mente.Eu pulei da mesa o mais rápido que pude e tentei me afastar dos homens,as pernas mal aguentando meu peso.
— Não. Vocês não vão fazer isso. Não podem…
— Podemos, sim — interrompeu-me o sargento. — De acordo com aLei Patriótica, podemos apreender, realocar e deter qualquer um, humanoou não, que configure risco à Segurança Nacional.
— O quê? — Bati com as costas na parede. — Não sou uma terrorista.
— Mas é um risco — retrucou ele. — Esperamos mudar isso, mascomo pode ver, seu direito à liberdade foi revogado no momento em quevocê passou pela mutação.
Minhas pernas cederam e eu escorreguei parede abaixo, caindo sentada com força.
— Não posso… — Meu cérebro se recusava a processar aquela situação.— Minha mãe…
O sargento não disse nada.
Minha mãe… ai, meu Deus, minha mãe devia estar enlouquecendo.Apavorada e devastada. Ela jamais se recuperaria.
Fechei os olhos e pressionei a testa com as mãos.
— Isso é tão errado!
— O que você imaginou que iria acontecer? — perguntouDasher.
Abri os olhos, respirando com dificuldade.
— Vocês acharam que conseguiriam invadir um órgão do governoe sair sem que nada acontecesse? Que não haveria consequências? — Elese agachou diante de mim. — Que um grupo de adolescentes, alienígenasou híbridos, conseguiria chegar tão longe sem que a gente permitisse?
Meu corpo inteiro gelou. Boa pergunta. O que a gente estava esperando?Suspeitávamos de que pudesse ser uma armadilha. Eu chegarabasicamentea me preparar para tanto, mas não podíamos deixar a Bethapodrecendo naquele lugar. Nenhum de nós conseguiria viver com isso.
Ergui os olhos para o sargento.
— O que… o que aconteceu com os outros?
— Eles escaparam.
O alívio foi imediato. Pelo menos o Daemon não estava trancafiadoem algum lugar. Saber disso me deu certo conforto.
— Para ser honesto, só precisávamos capturar um de vocês. Ou vocêou o que te transformou. Qualquer um dos dois irá atrair o outro. — Fezuma pausa. — No momento, Daemon Black está desaparecido, mas a genteacredita que isso não vai durar muito. Sabemos por experiência que o vínculoentre um Luxen e o humano transformado por ele ou ela é bastanteintenso, especialmente entre um homem e uma mulher. E, pelo quepudemosobservar, vocês dois são extremamente… próximos.
O alívio que eu sentira evaporou no mesmo instante, substituído porum súbito medo. Não fazia sentido fingir que não sabia do que ele estavafalando, mas jamais confirmaria que tinha sido o Daemon. Jamais.
— Sei que está com medo e zangada.
— Tem razão, estou sentindo uma boa dose dessas duas coisas.
— Compreensível. Não somos tão ruins quanto você pensa, Katy.Tínhamos todo o direito de recorrer a meios letais quando a capturamos.Poderíamos ter matado seus amigos. Mas não matamos. — Ele se levantou eentrelaçou as mãos novamente. — Você vai ver que não somos o inimigo aqui.
Não eram o inimigo? Eram, sim — uma ameaça pior do que umpelotão inteiro de Arum —, porque tinham o respaldo do governo. Porquepodiam simplesmente pegar uma pessoa e afastá-la de tudo — da família,dos amigos, de toda uma vida —, sem nenhuma consequência.
Eu estava totalmente ferrada.
Quando me dei conta da real situação em que me encontrava, meu já escasso autocontrole se desfez por completo. Fui tomada por um pavor profundo, que rapidamente se transformou em pânico, produzindo um tenebroso misto de emoções estimuladas pela adrenalina. A razão deu lugar ao instinto — não um instinto nato, mas que fora moldado pelo que eu me tornara após ser curada pelo Daemon.
Coloquei-me de pé num pulo. Meus músculos doloridos gritaram emprotesto, e o movimento súbito me deixou tonta, mas continuei em pé.O médico deu alguns passos para o lado, empalidecendo enquanto estendiaa mão para a parede. O sargento, por sua vez, sequer piscou. Não parecianem um pouco apreensivo.
Com todas as violentas emoções que fervilhavam dentro de mim,invocara Fonte deveria ter sido fácil, mas não encontrei nada, nem aquelasensação de expectativa de quando você está no topo de uma montanha-russa, nem um brotar de estática em volta da pele.
Não havia nada.
Ainda que minha mente estivesse embotada pelo horror e pelo pânico,a realidade se insinuou lentamente, lembrando-me de que não podiarecorrer à Fonte ali.
— Doutor? — chamou o sargento.
Eu precisava de uma arma. Contornando o oficial, segui para a mesacom os instrumentos cirúrgicos. Não tinha a menor ideia do que iriafazer se conseguisse escapar daquela sala. A porta talvez estivesse trancada.Naquele momento, porém, não conseguia pensar em nada. Apenas tinhaque dar o fora dali. Tipo, imediatamente.
Antes que conseguisse alcançar a bandeja, o médico deu um tapa naparede. Seguiu-se um tenebroso e familiar som de algo sendo liberadonuma série de pequenos borrifos. Não houve outro aviso. Nenhum cheiro.Nenhuma mudança na consistência do ar.
De qualquer forma, aqueles pequenos pontos no teto e nas paredesestavam pulverizando ônix no ambiente, e não havia para onde escapar.Fui acometida por um horror profundo. Senti a respiração ser cortadaenquanto uma dor causticante brotava em meu escalpo e se espalhava portodo o meu corpo. Como se alguém tivesse me encharcado com gasolinae ateado fogo, fazendo com que labaredas lambessem minha pele. Minhaspernas cederam e caí de joelhos no chão. O ar saturado de ônix arranhavaminha garganta e queimava meus pulmões.
Fechei-me numa bola, fincando os dedos no chão e abrindo a boca num grito silencioso. Meu corpo foi tomado por espasmos incontroláveisà medida que o ônix invadia cada célula. Aquilo parecia não ter fim. Não havia a menor esperança de que o fogo pudesse ser aplacado pelo raciocínio rápido do Daemon. Ainda assim, chamei por ele em silêncio repetidas vezes, mas não obtive resposta.
Meu mundo fora reduzido a uma única sensação: dor.


Daemon

Trinta e uma horas, quarenta e dois minutos e vinte segundostinhamse passado desde que as portas se fecharam, me separando da Kat.Trinta e uma horas, quarenta e dois minutos e dez segundos desde que avira pela última vez. Kat estava nas mãos do Daedalus havia trinta e umahoras e quarenta e um minutos.
A cada segundo, minuto e hora eu enlouquecia um pouco mais.
Eles haviam me prendido numa cabana simples, com um único aposento.Na verdade, uma prisão adornada com tudo o que pudesse enfurecerum Luxen, mas isso não me deteve. Explodi a porta e o Luxen quetinha sido posto de vigia. Uma fúria indescritível me consumia, envolvendominhasentranhas como ácido enquanto eu ganhava velocidade epassava em disparada pela fileira de cabanas, evitando a área residencial e seguindodireto para as árvores que circundavam a colônia Luxen,escondidana base das Seneca Rocks. Na metade do caminho, percebi umborrão branco vindo em minha direção.
Eles iam tentar me deter? Nem sonhando.
Parei de supetão. A luz passou direto por mim e se virou. Em sua forma alienígena com contornos humanos, o Luxen parado diante de mim brilhava tanto que iluminava as árvores escuras às suas costas.
Só estamos tentando protegê-lo, Daemon.
Da mesma forma que o Dawson e o Matthew achavam que conseguiriamme proteger me nocauteando lá em MountWeather e depois me trancafiandonuma cabana. Ah, eu tinha uma tremenda conta a acertar com aqueles dois.
Não queremos te machucar.
— Que pena! — Estalei o pescoço. Vários outros Luxen se aproximavampor trás de mim. — Porque não tenho o menor problema emmachucar vocês.
O que estava à minha frente estendeu os braços.
Não precisa ser assim.
Não havia outro jeito. Abandonar minha forma humana foi comotirar uma roupa apertada demais. Um brilho avermelhado se espalhou pelarelva como sangue. Vamos acabar logo com isso.
Nenhum deles hesitou.
Nem eu.
O Luxen avançou num borrão de membros brilhantes. Mergulhei por baixo dos braços dele e me levantei rapidamente. Agarrando-o pelos punhos, dei um chute no meio de suas costas. Assim que ele caiu, outro tomou seu lugar.
Pulei de lado ao mesmo tempo que estendia o braço e derrubava osegundo. Agachei-me, então, escapando por um triz de uma bota com meunome gravado na sola. O combate físico era mais do que bem-vindo. Despejeitoda a fúria e frustração numa série de socos e chutes, nocauteando mais três.
Uma bola de luz cortou a escuridão. Agachei de novo e dei um socono chão, levantando terra e produzindo uma onda de choque que lançouo maldito Luxen no ar. Pus-me de pé num pulo e o agarrei. Eu emitiauma luz tão intensa que, por um momento, a noite se transformou em dia.
Girei e o arremessei como um disco.
Ele bateu contra uma das árvores e despencou no chão, mas rapidamentese levantou. Avançou de novo, deixando um rastro de luz brancadebruada de azul, tal como a cauda de um cometa. Com um grito debatalhadesumano, lançou em minha direção uma bola de energia de proporçõesnucleares.
Ah, então era assim que ele queria brincar?
Desviei o corpo para o lado; a bola passou zunindo e se apagou.Recuando um passo, invoquei a Fonte e deixei o poder se espalhar portodo o meu corpo. Bati com o pé no chão, criando uma cratera e outraonda de choque que desequilibrou o Luxen. Em seguida, estendi o braçoe liberei a Fonte. Ela espocou de minha mão como o tiro de um revólver,acertando-o em cheio no peito.
O Luxen caiu, ainda vivo, porém tomado por espasmos.
— O que você pensa que está fazendo, Daemon?
Ao escutar a voz sem entonação do Ethan Smith, me virei. O antigo,que continuava em sua forma humana, estava parado alguns metros atrás de mim, em meio aos Luxen que eu derrubara. Meu corpo vibrou como poder não liberado. Eles não deviam ter tentado me deter. Nenhum de vocês deveriam ter tentado fazer isso.
Ethan entrelaçou as mãos diante do peito.
— Você não devia estar disposto a arriscar sua comunidade por umagarota humana.
Havia uma boa chance de que ele viesse a ser meu próximo alvo. Nãovou discutir com você sobre a Kat.
— Nós somos a sua espécie, Daemon. — Ele deu um passo à frente.— Você tem que ficar conosco. Ir atrás dessa humana só irá…
Estendi o braço e agarrei pelo pescoço o Luxen que tentava se aproximarsorrateiramente. Virei-me para ele ao mesmo tempo que ambosreassumíamos nossa forma humana. Seus olhos brilhavam, amedrontados.
— Jura? — grunhi.
— Merda — murmurou ele.
Suspendi o filho da mãe no ar e o derrubei com toda a força no chão,esganando-o. Terra e pedrinhas voaram para todos os lados enquanto eume empertigava e voltava a atenção para o Ethan.
O antigo empalideceu.
— Você está lutando contra sua própria espécie, Daemon. Isso éimperdoável.
— Não estou pedindo perdão. Não estou pedindo porra nenhuma.
— Você será expulso da comunidade — ameaçou ele.
— Adivinha só? — Recuei alguns passos, mantendo um olho fixo noLuxen caído, que começara a se recobrar. — Não dou a mínima.
A expressão até então calma e quase dócil do Ethan desapareceu,e foi substituída pela raiva.
— Acha que eu não sei o que você fez com aquela garota? O que seuirmão fez com a outra? Ambos provocaram isso. É por esse motivo que nãonos misturamos com eles. Humanos só nos criam problemas. E você vai criartambém, vai atrair a atenção do governo para nós. Não precisamos disso,Daemon. Você está arriscando demais por conta de uma simples humana.
— Esse planeta é deles — retruquei, surpreso comigo mesmo peladeclaração, mas era verdade. Repeti as palavras que a Kat dissera uma vez:— Nós somos os convidados aqui, meu chapa.
Ethan estreitou os olhos.
— Por enquanto.
Inclinei a cabeça ligeiramente de lado ao escutar isso. Não era precisoser um gênio para perceber que era um aviso, mas, por ora, minhaprioridade era a Kat.
— Não me sigam.
— Daemon…
— Estou falando sério, Ethan. Se você ou qualquer outro vier atrásde mim, não vou ser tão condescendente.
O antigo bufou.
— Ela vale tudo isso?
Um calafrio percorreu minha espinha. Sem o apoio da comunidade Luxen, eu estaria sozinho. Não seria bem-vindo em nenhuma das outras colônias. A notícia se espalharia rápido; Ethan se certificaria disso. Ainda assim, não tive sequer um momento de hesitação.
— Vale — respondi. — Ela é tudo.
Ethan inspirou fundo.
— Não apareça mais aqui.
— Que assim seja.
Eu girei nos calcanhares e parti em disparada por entre as árvores,seguindo para casa. Estava confuso demais. Não tinha sequer um plano.Nada de concreto. Mas sabia que ia precisar de algumas coisas. Em primeirolugar, dinheiro. E um carro. Ir correndo até MountWeather nãoera uma opção. Mas voltar para casa ia ser difícil, principalmente porqueo Dawson e a Dee estariam lá — e tentariam me impedir.
A essa altura, queria vê-los tentar.
No entanto, enquanto contornava a montanha rochosa e ganhavavelocidade,as palavras do Ethan ecoaram em minha mente. Ambos provocaramisso. Será? A resposta era simples e estava na minha cara. Dawson e eutínhamos colocado as meninas em perigo pelo simples fato de termos nosinteressado por elas. Nenhum de nós imaginava que elas se machucariam,ou que a cura iria transformá-las em algo não exatamente humano nem
Luxen. Mas sabíamos dos riscos.
Eu mais do que ninguém.
Por isso tinha tentado afastar a Kat no começo, fazendo de tudo paramantê-la longe da Dee e de mim. Em parte pelo que havia acontecidocom o Dawson, mas também porque os riscos eram muitos. No entanto,acabei trazendo-a para esse mundo. Dei a mão a ela e praticamente aarrastei.E olha o que aconteceu.
Não era para ter sido assim.
Se era para alguém ser capturado em MountWeather, esse alguémera eu. Não a Kat. Jamais ela.
Amaldiçoando por entre os dentes, alcancei um trecho do terrenoiluminado por um luar prateado segundos antes de deixar a mata. Sem medar conta do que estava fazendo, diminuí a velocidade.
Meu olhar recaiu direto sobre a casa da Kat, e meu peito apertou.
A casa estava escura e silenciosa, como estivera por vários anos antesque ela se mudasse. Uma carcaça vazia e sem vida.
Parei ao lado do carro da mãe dela e soltei um suspiro entrecortadoque não ajudou em nada a aliviar a pressão em meu peito. Sabia que estavaescuro demais para que alguém conseguisse me ver. De qualquer forma,não me importaria de ser capturado pelo DOD ou o Daedalus. Seria maisfácil assim.
Fechei os olhos e visualizei a Kat saindo pela porta da frente, usandoaquela maldita camiseta com os dizeres Meu Blog É Melhor Que O SeuVlog. Aqueles shorts… aquelas pernas…
Cara, eu tinha sido um verdadeiro babaca, mas ela não se deixaraintimidar.
Nem por um segundo.
Uma luz se acendeu em minha casa. Um segundo depois, a portada frente abriu e Dawson saiu para a varanda. A brisa trouxe uma levemaldição.
Precisava reconhecer que o Dawson parecia mil vezes melhor do queda última vez que o vira. As olheiras escuras tinham praticamente desaparecido.E ele engordara um pouco. Tal como antes de o DOD e o Daedaluso capturarem, seria quase impossível distinguir qualquer diferença entrenós, exceto pelo fato de os cabelos dele serem mais compridos e bagunçados.É, meu irmão estava com cara de quem havia ganhado na loteria.Mas, também, ele conseguira resgatar a Bethany.
Isso soava como inveja, eu sabia, mas não dava a mínima.
Assim que pisei no primeiro degrau, uma onda de choque rachou ocimento da escada e chacoalhou as tábuas do piso da varanda.
Dawson empalideceu e recuou um passo. Fui tomado por uma doentiasensação de satisfação.
— Não esperava me ver?
— Daemon. — Ele bateu com as costas na porta. — Sei que vocêestá puto.
Eu liberei outra explosão de energia que acertou as ripas do telhado.A madeira estalou. Uma rachadura surgiu no meio da viga central. A Fontese espalhou pelo meu corpo, modificando minha visão e fazendo com queo mundo se tornasse todo branco.
— Você não faz ideia.
— Queríamos mantê-lo em segurança até descobrirmos o que fazer…como resgatar a Kat. Só isso.
Inspirei fundo e me aproximei dele até ficarmos cara a cara.
— E vocês acharam que me prender na colônia era a melhor opção?
— A gente…
— Que conseguiriam me deter? — Outra explosão de poder acertou a porta atrás do Dawson, arrancando-a das dobradiças. — Vou salvá-lanem que para isso precise incendiar o planeta inteiro.









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