O Dr. Ben Payne acordou na neve. Flocos sobre os cílios. Vento cortante na pele. Dor aguda nas costelas toda vez que respirava fundo.
Teve flashes do que havia acontecido. Luzes piscavam no painel do avião. Ele estava conversando com o piloto. O piloto. Ataque cardíaco, sem dúvida.
Mas havia uma mulher também – Ashley, ele se lembra. Encontrou-a. Ombro deslocado. Perna quebrada.
Agora eles estão sozinhos, isolados a quase 3.500 metros de altitude, numa extensa área de floresta coberta por quilômetros de neve. Como sair dali e, ainda mais complicado, como tirar Ashley daquele lugar sem agravar seu estado?
À medida que os dias passam, porém, vai ficando claro que, se Ben cuida das feridas físicas de Ashley, é ela quem revigora o coração dele. Cada vez mais um se torna o grande apoio e a maior motivação do outro. E, se há dúvidas de que possam sobreviver, uma certeza eles têm: nada jamais será igual em suas vidas.
Ficha Técnica:
Páginas: 304 | Gênero: Romance; Literatura Estrangeira; Ficção | Formato: Físico; Digital | Edição: 2ª | ISBN: 9788580417753 | Editora: Arqueiro | Idioma: Português | Ano: 2017 | SKOOB

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"Oi... Não sei bem que horas são. Este treco deve registrar. Acordei faz uns minutos. Ainda está escuro. Não sei quanto tempo fiquei apagado. A neve entra pelo para-brisa. Está congelada no meu rosto. É difícil piscar. Parece tinta seca nas minhas bochechas. Só não tem gosto de tinta seca.”


Bom, eu já tinha passado o olho nessa história um tempo atrás, mas ela não tinha prendido tanto a minha atenção, e fiz aquela leitura dinâmica da narrativa (que você lê um capítulo e pula uns 5 rsrs). Então quando a Dai me mandou a lista de livros e vi que as pessoas falavam tão bem dessa história, pensei logo em dar uma segunda chance. Fiquei surpreendida ao me ver fascinada e não querendo desgrudar do livro enquanto não soubesse qual seria o fim de todo o sofrimento que Ben Payne e Ashley Knox passaram. 

O livro começa com o prelúdio de Ben acordando logo após o acidente e tentando lembrar das coisas que aconteceram, mesmo ferido ele faz o possível para ver qual a situação deles no meio daquele monte de neve. E só nessa parte a gente fica com o coração na mão e se perguntando o que aconteceu e porque eles foram parar ali, no meio do nada.

No primeiro capítulo o autor nos leva ao início de toda a história, ou seja, 12 horas antes do terrível acidente. Vou contar um pouquinho para vocês. Aeroporto de Salt Lake City, voos atrasados devido ao mau tempo e pessoas ansiosas querendo chegar logo ao seu destino. Nesse período de espera, Ben e Ashley se “esbarram” e começam a conversar, um médico cirurgião e uma colunista que está prestes a casar. Eles só queriam chegar em casa.


“ – (...) Case com o homem que vai caminhar a seu lado pelos próximos cinquenta ou sessenta anos. Que vai abrir portas, segurar sua mão, fazer seu café, passar loção nas rachaduras dos seus pés, pôr você no pedestal que é o seu lugar. Ele está se casando com o seu rosto e o seu cabelo louro pintado ou vai amar você quando a sua aparência for muito diferente, daqui a cinquenta anos?”

Mas a tempestade estava cada vez mais próxima e os aviões não tinham como sair do aeroporto. Enquanto Ashley pensou em ir para um hotel mais próximo, Ben não conseguia deixar de lado a ideia de ir embora. Até que ele encontrou um avião de pequeno porte e o dono topou leva-lo até ao próximo aeroporto para ele enfim conseguir seguir sua rota. E já que ele conseguiu esse avião, porque não convidar Ashley? Quem imaginaria que o piloto teria um ataque cardíaco em pleno voo? E assim eles foram parar no meio de algumas montanhas cobertas de neve.


“- Quando o pior é uma possibilidade, é bom mantê-lo em perspectiva. Sem que a gente se esconda dele. Sem fugir. Ele pode acontecer. E, se e quando acontecer, é melhor ter pensado nele de antemão. Desse jeito, a pessoa não é esmigalhada quando o pior se torna realidade.”

Sabe aquela leitura que te deixa ansiosa do início ao fim? Você não consegue imaginar o que vai acontecer, como eles vão conseguir sair daquele lugar, se os dois vão sobreviver e, sinceramente, eu custei a pensar em um romance entre os dois. Sim, eu só pensava quando que o autor ia decidir mandar alguém para resgatá-los (haha).

Por sorte, Ben já estava acostumado a esse tipo de ambiente, porque sempre escalava, e isso os ajudou bastante, pois ele sabia como conseguir comida, além de ter mais ideias de sobrevivência (ufa!). Nesse tempo eles conseguiram se conhecer, saber um pouco mais de detalhes da vida um do outro e com isso foi nascendo um sentimento terno e criando um laço. 


“O que vi não me tranquilizou. Eu esperava algum sinal de civilização. Uma luz. Uma fumaça de chaminé. Algum tipo de construção. Qualquer coisa que me desse uma orientação. Um motivo de esperança. Virei-me, vasculhei o horizonte e a verdade se firmou.”

Não vou entrar em muitos detalhes sobre a história, porque as coisas que acontecem em quanto eles estão perdidos é que deixam a leitura mais envolvente. No entanto, posso falar mais dos personagens né? Ben é um cara forte, mas que guarda uma angústia enorme. Tão grande que ele não sabe como deixar o passado para trás e vive se culpando pelas coisas que aconteceram. Ashley é a pessoa que tenta levar as coisas no melhor humor possível. Na maioria dos momentos é ela quem “quebra o gelo”, que deixa tudo com o ar mais alegre e ameno. Personagens lindos e extremamente cativantes!

Para finalizar, mesmo que a narração seja toda do Ben (e se você for ler entenderá o porquê), é possível sentir toda a apreensão tanto dele quanto de Ashley. Uma leitura que nos deixa tão envolvidos que nem percebemos a hora passar, além de ter trechos que nos fazem pensar na vida e em como podemos ser melhores para o próximo. Bom, acho que a capa anterior contribuiu para a minha falta de atenção na primeira vez, e agora com a capa do filme, ficou mais chamativa, mais convidativa. Uma leitura formidável! Pronto, já posso ir no cinema para ficar comparando o livro com o filme (haha). E, fim!


“- Paus e pedras podem quebrar ossos, mas, se você quiser ferir alguém... bem fundo, use as palavras.”

“- Um dia você me perguntou o que não podia ser perdoado – acrescentei, meneando a cabeça. – São as palavras. Palavras que a gente não pode desdizer, porque a pessoa a quem fora ditas as levou para o túmulo há quatro anos e meio.”

“Perdão é uma coisa difícil. Tanto para oferecer... quanto para aceitar.”




Sobre o autor:

Charles Martin se casou em 1993 com o grande amor de sua vida e tem três filhos com ela. Gosta de exercícios físicos, caça com arco e flecha e é faixa preta em tae kwon do. Já publicou doze romances e um e-book autobiográfico.

Depois daquela montanha, lançado em mais de dez países, chega às telas de cinema com Idris Elba e Kate Winslet nos papéis principais.

Charles mora com a família em Jacksonville, na Flórida.










10 Comentários

  1. Não sabia que era baseado em um livro e agora já quero ler antes de ver o filme. Gosto quando a narrativa é sob a perspectiva masculina, acho mais enxuta.
    Quero ler.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  2. Eita que agora eu fiquei com medo, quando você disse que quer ler entenderá o motivo de o livro ser narrado por ele... Será que ela morre? Eu também não estava muito animada para ler o livro, até ver o trailer da adaptação cinematográfica e a capa nova, agora já quero muito ler.

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  3. E o que é o final? Aquela coisa das fitas? Eu fiquei completamente emocionada. Adoro os livros deste autor porque ele sabe emocionar mesmo e quero ver a versão do filme porque tem atores que eu adoro.

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  4. Oi!
    Eu quero muito ler esse livro.
    Duas amigas minhas fizeram essa leitura e ficaram simplesmente apaixonadas pela história, ah e choraram rios de lágrimas também - só isso já é motivo pra eu me animar em ler hahah
    Mas pela sua resenha o livro é mesmo emocionante, vou tentar assistir o filme pra ver se eu gosto e depois quando tiver oportunidade farei a leitura também

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  5. Oi Mary,
    tenho que admitir que em nenhum momento estive ansiosa para assistir/ler essa história e olha que eu sou tiete de adaptações, não aguento saber que uma nova sairá que já quero correr para ler o livro antes e depois assistir ao filme/série, mas dessa vez estou com interesse zero, talvez mesmo assim eu venha a assistir ao filme, quanto a leitura ai já é outra coisa, mesmo suas considerações positivas não me animaram muito, talvez eu não esteja no clima e quem sabe isso mude em um futuro distante, né?

    Abraços!
    Nosso Mundo Literário

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  6. Oi, Mary! Desde o lançamento desse livro estive de olho nele, mas nunca tinha realmente escrito uma resenha ao seu respeito, e eu simplesmente amei a sua, me deixou com mais vontade ainda de o ler. Estou precisando mesmo de um livro envolvente para me tirar da ressaca literária que estou passando, rs. Bom, adorei a resenha! Beijos.

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  7. Ola, estou curiosa para ler esse livro antes de eu saber que iria virar filme. E sua resenha me deixou curiosa para realizar logo a leitura

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  8. Olá
    Eu já tinha visto esse livro e uma resenha uma vez fiquei mega empolgada para fazer a leitura e quem disse que eu lembrava o nome do livro depois? Eu fiquei muito curiosa com a premissa, imagina a cabeça dos personagens no meio do nada, não sabendo se vai sobreviver ou não. Para mim é um estilo de leitura diferente é que me agrada muito. Sua resenha está maravilhosa e me fez sentir mais vontade ainda de ler, parabéns.
    Beijos

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  9. Oiii,

    Eu já tinha lido algo sobre este livro em algum lugar, mas não lembro onde rs. Adorei sua resenha e maneira como a segunda chance pra história de conquistou, admito que acho bem raro gostar de um livro que não prendeu da primeira vez. Fiquei curiosa pra saber como a história vai se resolver com ele sendo preso ao passado e ela tendo um noivo rs.

    Beijinhos...
    http://www.paraisoliterario.com

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  10. Olá.

    Uaaaau! Que leitura maravilhosa! Não sabia que esse livro tinha esse suspense e que era assim tão cativante! Fiquei curiosa para saber como eles ficaram ali no meio do nada. Não quero só ler esse livro, mas também assistir o filme também. Amei sua resenha!

    Beijos

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