Sinopse: Cabe a cada um decidir a melhor forma de lidar com as provações da vida, uns se entregam e se afundam em meio às lamúrias, outros tentam dar uma virada no jogo e encaram com leveza ou, pelo menos, fingem muito bem e conseguem demonstrar isso.
Michelle é uma mulher jovem, mas que traz consigo uma bagagem enorme de histórias, vitórias, derrotas, superações e reviravoltas. O alto astral que deixa transparecer se tornou a sua marca registrada e o diferencial do pub que é proprietária, mas não foi sempre assim.
Quando resolveu abrir um pub depois de tudo o que viveu, ela foi chamada de louca e inconsequente, mas apesar de todas as críticas ela foi em frente.
É adepta aos romances com estilo pega, mas não se apega. Gosta da liberdade de conhecer pessoas, evita se prender demais com medo de magoar alguém pela sua história. A crença de que o passado sempre pode voltar com força é um ponto fraco que possui.
Só que o destino é um gozador que sempre acaba brincando com a nossa vida, e com um toque no celular, um aplicativo é acionado e aquilo que pode bagunçar toda uma nova vida aparentemente estruturada se encontra atrás do volante, com um sorriso lindo e te oferecendo uma balinha.
“Prazer, sou o Luc, qual o seu destino?”.
Ficha Técnica:
Páginas: 314 | Gênero: Ficção; Romance; Literatura Brasileira | Formato: E-book | Edição: 1ª | ASIN: B077WJKGBH | Publicação Independente | Idioma: Português | Ano: 2017 | SKOOB

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Todo leitor quando começa a ler um livro novo espera ser surpreendido da melhor forma possível, mesmo quando não coloca grandes expectativas em cima da leitura. E quando o livro surpreende muito além do esperado — ou do desejado —, é simplesmente indescritível. Recentemente, tive uma experiência exatamente assim e, justamente por isso, resolvi trazer a resenha deste livro para vocês.

Ride: O Aplicativo Cupido é o meu primeiro contato com a escrita da autora Juliana Policarpo, e até agora eu me pergunto porque demorei tanto para ler algo de sua autoria. Sério, o livro conquistou o meu coração! Comecei a ler esta história despretensiosamente, e logo nas primeiras páginas eu já tinha sido fisgada por ela. A obra é narrada em primeira pessoa, mostrando o ponto de vista dos personagens principais, a Michelle e o Lucca. Adoro acompanhar a trama pelos dois lados, e não nego que quase sempre prefiro a narrativa pelo lado masculino. Porém, dessa vez, foi totalmente o oposto. Michelle é uma personagem incrível; sua força, perseverança e determinação conquistaram a minha admiração. Mas, antes de dar as minhas considerações sobre a obra, deixa eu contar para vocês um pouquinho da história.

Michelle precisou chegar ao fundo do poço para conseguir se reerguer. Um dia ela tinha tudo, um trabalho que adorava, uma família grande e barulhenta, amigos e muita badalação. Mas um vício, que chegou sorrateiramente, a deixou sem nada. Para Michelle, o álcool era apenas uma maneira de celebrar, de descontrair, de relaxar, no entanto, em um determinado momento, ele deixou de ser social, casual, e se tornou destrutivo. Como qualquer alcoólatra, ela não percebia que havia chegado em um ponto crítico, que precisava de ajuda, que estava doente. Precisou que uma "barreira" se rompesse para que ela enxergasse que sua vida não era mais a mesma. A partir de então seu caminho não foi fácil, ela enfrentou diversos obstáculos, se afastou das pessoas que amava, teve várias recaídas, cometeu vários deslizes. Mas, ela não esteve sozinha em sua caminhada, e com uma ajudinha do destino, anjos sem asas apareceram em sua vida, lhe estendendo a mão e lhe mostrando uma direção. O Alcoólicos Anônimos foi de suma importância em sua trajetória. Agora, três anos depois, com muita força de vontade e muita dedicação, ela estava limpa. E cada dia era comemorado como uma vitória.


"Quando olho para trás, vira e mexe tento procurar o momento exato em que me perdi, em que deixei de ser àquela garota decidida quando me formei na faculdade, a mesma que toda a família criava tantas expectativas, a que vivia rodeada de amigos que planejavam ficar juntos para sempre e que sempre tinha um carinha por perto."

"Alcoolismo não tem cura, tem tratamento. Sabe quando te apontam o dedo, falando que você está errada e seu desejo maior é ligar o foda-se e provar que quem manda na sua vida é você? Eu fazia isso, bebendo cada vez mais e pouco me lixando para o que iriam pensar de mim."

Quem conhece a densa bagagem que essa jovem carrega, não consegue entender os motivos que a levaram a abrir seu novo empreendimento, um pub chamado "Sorte". Como uma alcoólatra poderia trabalhar em um lugar onde a tentação estava a uma prateleira de distância?  Contudo, era dali que ela tirava sua motivação diária, onde colocava todo o seu empenho e onde, muitas vezes, acabou ajudando pessoas que estavam tão perdida quanto ela foi um dia. Seu pub não era igual ao da maioria, tinha um toque todo especial da Mi, e esse era seu diferencial.


"O alcoolismo é uma doença que a cada dia que passa luto e tento vencer. Cada dia é uma vitória."

Mi é uma jovem bem-humorada, alto astral, mas também muito fechada. Depois de tudo o que passou, ela não consegue deixar que muitas pessoas se tornem presentes em sua vida, o medo de machucá-las, de decepcioná-las, ainda é muito forte, por isso, possui poucas amizades mais íntimas. Relacionamento amoroso também não faz parte de seus planos, ela prefere não se envolver, optando por encontros puramente sexuais. Mas tudo muda quando um certo motorista do Ride (um aplicativo fictício que funciona como um Uber), aparece em sua vida disposto a muito mais do que uma simples corrida. E depois da simples frase “Prazer, sou o Luc, qual o seu destino?”, nada foi como antes.

Lucca é homem lindo, charmoso, trabalhador, dedicado à família e aos amigos. Solteiro de carteirinha, ele sabe aproveitar todas as regalias dessa situação, e tem sempre uma bela mulher ao seu lado. Não que ele não deseje um relacionamento sério e duradouro, Luc apenas não encontrou a mulher que abale suas estruturas. E não é que essa mulher apareceu no lugar mais incomum possível? Motorista do Ride nas horas vagas, ele roda pela cidade atendendo ao chamados dos clientes, levando-os de um lugar ao outro, pegando todo tipo de passageiro, ouvindo todo o tipo de história. E é em uma dessas corridas que ele conhece Michelle, uma mulher bela, misteriosa e de personalidade forte que o deixou atraído logo de cara. Tudo nela despertava o seu interesse, e, pela primeira vez, ele estava disposto a conquistar o coração de uma mulher que não sai de sua cabeça. Não vou falar muito desse personagem, qualquer coisa a mais que eu disser vai ser um spoiler, e aí perde a graça. Só lendo para saber mais sobre a vida de Lucca.


"Fico encarando-a e me dando conta que eu procurava alguém como ela. Não por ter sua cota miserável de percalços de todos os tipos na vida e tentar me afastar a cada passo, mas uma mulher corajosa, que chegou ao fundo do poço e conseguiu se reerguer, que agora mesmo sofrendo está encarando as últimas etapas para fazer as pazes com seu passado."

 "O Luc caiu de paraquedas na minha vida, pegou atalhos, foi derrubando os obstáculos, segurou a minha mão e me ajudou a atravessar caminhos que para mim eram quase intransponíveis."

Juliana Policarpo é de uma sensibilidade tremenda! Ela abordou com maestria um assunto muito real e muito importante, o alcoolismo. A obra possui uma grande carga dramática devido ao tema central, mas a autora trabalhou de forma branda, leve, o que resultou em uma leitura fluida, delicada, mas sem deixar de ser emocionante, tocante, esclarecedora. Que eu me lembre, essa é a primeira história que leio com essa temática, pelo menos assim, abordada diretamente. Essa é uma leitura rica, que toca a alma, o coração. Me emocionei em vários momentos quando a Michelle narrava tudo o que enfrentou em sua caminhada, tudo o que perdeu e tudo o que conquistou. Essa personagem me provocou muita empatia, e todas as vezes em que lia seus relatos, sentia como se ela estivesse conversando comigo. Isso foi uma das coisas que mais me encantaram na escrita da Juliana. Mi também me cativou por sua personalidade, ela é segura de si, determinada, madura, alegre, uma guerreira. Não posso esquecer de falar do Lucca, esse personagem amorzinho, tão carinhoso e tão apaixonado. Ele chegou na vida da Mi para acrescentar mais cor; seu apoio e dedicação a ela foi fundamental em vários momentos importantes. Um romance doce, leve, equilibrado, compreensivo e gostoso de acompanhar.
 

"O caminho para se livrar do álcool é longo, duro e é uma batalha diária. Isso de estarmos mais perto é até para dar apoio nos momentos em que a abstinência maltrata mais."

"A primeira coisa é termos consciência que temos uma doença incurável, além de lutarmos contra ela, temos que encarar todos os monstros que vivem dentro de nós. Isso não é nada fácil. Organizo na minha cabeça que devo criar várias frentes de batalha: uma contra o alcoolismo, outra contra meus medos, contra os julgamentos de quem não conhece a nossa luta e mais uma infinidade de inimigos."

Ride apresenta uma história com traços de realidade, mas sem deixar de ter nuances coloridas, momentos clichês e situações sonhadoras. Fala sobre vícios, recomeço, força de vontade, perseverança, amizade, família, amor. Contudo, acho que sua principal mensagem é sobre ajudar ao próximo sem questionamento, sem julgamento. Estenda sua mão para quem precisa e aceite que, para quem possui algum vício, para quem está no fundo do poço, a caminhada não é fácil, o caminho é tortuoso, cheio de tombos e falhas. Não aponte o dedo, não banalize, não desmereça. Na maioria das vezes, tudo o que essa pessoa precisa é de um pouco de compreensão e apoio.


" (...) penso que tudo o que passei, as ervas daninhas que plantei e colhi, serviram para me fortalecer e chegar até aqui. Algo de bom eu devo ter conseguido fazer nessa vida, para ser agraciada dessa forma."   

Juliana, parabéns pelo lindo trabalho, virei sua fã!






Sobre a autora:
 

JULIANA POLICARPO é brasileira, solteira, advogada, leonina. Nascida no Rio de Janeiro, mas residente no norte do estado. Sempre fui apaixonada por livros, mas de alguma forma apenas ler deixou de ser o suficiente para mim. Passei por um momento bem complicado em meados de 2014 e acabei encontrando minha válvula de escape na escrita, depois do primeiro não consegui parar mais. Já estou escrevendo o meu quarto livro e espero que venham o quinto, sexto, ..., centésimo, sempre tendo a chance de melhorar a cada livro. 










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