Sinopse: Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.
Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.
Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Ficha Técnica:
Páginas: 272 | Gênero: Ficção; Romance de Época; Literatura Estrangeira | Formato: Impresso; Digital | Edição: 1ª | ISBN: 9788580418170 | Editora: Arqueiro | Idioma: Português |  SKOOB




Quem sobrevive a uma guerra costuma trazer consigo suas marcas. Essas marcas podem ser visíveis aos olhos, outras podem estar enraizados em suas almas. Mas, é fato comum que, quem participa de uma guerra, direta ou indiretamente, nunca será o mesmo depois dela. Estar vivo, seguir em frente, nem sempre é uma tarefa fácil, muito pelo contrário, passa a ser uma luta diária, e muitas vezes, tudo o que essas pessoas precisam é de apoio, compreensão e aceitação. E foi assim que o clube dos sobreviventes nasceu, formado por sete integrantes que dividem algo em comum: as marcas da guerra. Um amizade valiosa que nasceu da dor, um grupo de pessoas que criaram um laço sólido e aprenderam a se apoiar e a dar apoio, que sabem respeitar o sofrimento do outro sem julgamentos, que não precisam mascarar seus medos e anseios. Uma vez por ano o grupo se reúne para passar uma temporada juntos com o intuito de confraternizar, compartilhar seus progressos, dividir experiências, se ajudarem no que for necessário e simplesmente apreciar um bom tempo na companhia um dos outros. E é em um desses encontros que se inicia o primeiro livro da série Clube dos Sobreviventes, Uma proposta e nada mais.


"Eram sobreviventes e tinham força para levar a vida adiante. Contudo, de uma forma ou de outra, também carregavam cicatrizes. Entre eles, não precisavam esconder isso."


Hugo Emes é um homem intimidante, em todos os sentidos. Seu tamanho, sua força e sua expressão sempre carrancuda acabam repelindo as pessoas a sua volta, mas o que poucos sabem é que por trás dessa aparência sisuda existe um homem com um coração generoso e bondoso. O ex-oficial liderou nos campos de batalha missões denominadas de suicidas, lutou com bravura, perdeu companheiros, viu dor e destruição por todos os lados, e devido aos seus feitos honrosos durante a guerra, recebeu do rei o título de lorde Tretham. Mas não se enganem, Hugo nunca desejou esse título, nunca quis fazer parte da nobreza, muito pelo contrário, ele despreza ardentemente essa classe e tudo o que vem junto com ela. E mesmo que agora possua um título nobre, ele só deseja passar seus dias no interior, de forma simples e pacata, colocando a mão na terra e vivendo dela. Mas com a morte de seu pai, um comerciante que fez riqueza depois de muito trabalho e empenho aos negócios, Hugo ficou encarregado de cuidar da meia-irmã e da madrasta, bem como das finanças e de seu rico patrimônio. Sendo assim, ele teve que assumir novas obrigações e responsabilidades, incluindo algumas das quais não desejava, como por exemplo, arrumar uma esposa. 

Viúva há sete anos, Gwendoline, lady Muir, está muito satisfeita com a vida que leva. Com uma família que a apoia, a acolhe e lhe dá carinho, ela não sente necessidade de casar-se novamente. Bem, era isso o que ela pensava, até que ultimamente uma onda de solidão começou a acometê-la inexplicavelmente. Por isso, a ideia de se casar novamente passou a se instalar em sua mente. Quem sabe um marido tranquilo, companheiro, cavalheiro, divertido, refinado, que não esperasse uma grande paixão e com quem pudesse dividir seus dias não fosse a solução? Gwen é uma dama em todos os sentidos das palavras; dona de uma beleza requintada, ela encanta todos a sua volta, não somente pela aparência, mas pelo seu jeito doce, carismático, gentil, educado e naturalmente bondoso. Mas, por debaixo de toda essa delicadeza existe uma mulher forte e de opinião, que guarda segredos que a atormentam diariamente.


"A vida era curta demais para perder tempo com lamentações. Havia sempre muito o que comemorar. Mas e a solidão? Por quanto tempo ficaria à espreita, esperando o momento certo para o ataque? Sua vida era mesmo tão vazia quanto parecia naquele momento?"

Mas eis que o destino resolve cruzar – literalmente – o caminho  de Hugo e Gwen, duas pessoas de mundos e ideologias completamente opostas, mas que de uma forma natural, se veem rendido pela presença do outro. Inicialmente eles não se bicam; Gwem fica intimidada pelo jeito bruto e ranzinza de lorde Tretham, entretanto, ela se nega a abaixar sua cabeça para cada grosseria proferida por ele. Hugo por outro lado não esconde seu desconforto com a proximidade de lady Muir, a quem ele julga ser uma aristocrata mimada, fútil e acostumada a ter tudo o que deseja. Mas o tempo começa a mostrar que nada é como eles imaginavam a princípio, e a cada troca de palavras, a cada beijo roubado, a cada carícia ousada e a cada gesto espontâneo, fica difícil esconder o forte desejo que sentem um pelo outro. Porém, tanto Gwen quanto Hugo possuem visões diferentes do que esperam para o futuro, e isso acaba os distanciando. Difícil mesmo é manter seus pensamentos e sentimentos adormecidos, fingindo que eles não dariam certos juntos, principalmente quando não conseguem se esquecer. Mas, para ficarem juntos, eles precisarão superar algumas questões e passar por cima dos obstáculos impostos por eles mesmos.


"As pessoas compreendem a linguagem do coração, mesmo que a cabeça nem sempre consiga."

"– A senhora não é, de forma alguma, o tipo de mulher que busco para ser minha esposa – disse ele. – E faço parte de um universo muito diferente do marido que espera encontrar. Mesmo assim, sinto um poderoso desejo de beijá-la." 

Diferente de outros romances de época que li, Uma proposta e nada mais me conquistou com um casal mais maduro, vivido, que aprendeu com suas experiências individuais, e por isso, espera muito mais de um relacionamento do que uma paixão explosiva, que pode se esvair com o tempo. Gwen e Hugo carregam uma bagagem cheia, sendo assim, sabem bem o que querem do futuro, apreciam a segurança do previsível e preferem não se arriscar no improvável. Hugo é um homem extremamente sincero, direto, que não mede as palavras e nem as floreia, é bruto, rústico e simples. Um homem de classe média que honra suas origens e não suporta a alta roda da nobreza, ele simplesmente a abomina. Tudo o que ele deseja, já que tem que se casar, é uma mulher tranquila, de seu mesmo nível social, que aprecie viver na simplicidade e que seja fogosa, afinal, ele abandonaria a vida de solteiro e se dedicaria somente a ela. Esse personagem me cativou de várias maneiras, sua dedicação a família e aos amigos, sua força, seu jeitão taciturno e, principalmente, o homem que ele esconde por baixo de tanta carranca (rs). A Gwen é uma personagem linda, que encanta com sua delicadeza, sua bondade, sua positividade, sua coragem e simplicidade. Sabe aquele tipo de pessoa que consegue enxergar beleza nas pequenas coisas? Então, essa é a Gwendoline. Mas não a subestimem com sua aparência, ela é mais forte e mais independente do que a julgam. Gwen carrega marcas tão profundas de seu casamento que a travam de seguir em frente, de buscar uma felicidade, torna-se difícil buscar algo dos quais ela se sente indigna de ter.


"Não era inexperiente. Não era uma garota ingênua e inocente. Mas de repente era assim que se sentia, pois não havia nada em sua experiência que a ajudasse a compreender o desejo brutal que ela e lorde Tretham compartilhavam. Como poderia entender, quando ele não era de forma alguma o tipo de homem por quem esperava se sentir atraída nem para um flerte, muito menos como um possível marido?"

"O matrimônio  não era apenas o que se passava na cama. E as partes que não se passavam na cama tinham a mesma importância. Era impossível um casamento com Gwendoline. Para ser justo, era impossível para os dois.

Então, quando junta duas pessoas assim, tão diferentes e inexplicavelmente tão parecidas, que se provocam a todo o momento e que se veem completamente rendidas aos sentimentos, resulta em um romance fascinante. A grande verdade é que eles se completam de uma forma única, e ver esse amor desabrochar, crescer e florir, transformando-os plenamente, é simplesmente delicioso.


"O medo deve ser desafiado, foi o que descobri. Ele fica mais poderoso quando permitimos que nos domine."

Esse foi o meu segundo contato coma escrita da Mary Balogh, da primeira vez que li algo de sua autoria fiquei um tanto decepcionada, o romance em questão, Ligeiramente Casados, não me arrebatou (leia a resenha aqui). E por isso, não nego que comecei esse livro sem grandes expectativas, e para minha felicidade máxima, a obra me deixou completamente rendida. A autora tem uma escrita suave, que foi me inserindo naturalmente  na história, assim como o romance foi acontecendo. Os cenários são bem detalhados, descritos com maestria; os personagens são incríveis, tantos os principais como os secundários. A trama tem um ritmo tranquilo, sem altos e baixos, mas que não se torna monótona em momento algum, as coisas coisas vão acontecendo no seu devido tempo, com calma, e assim, a cada página virada fui ficando cada vez mais entregue à leitura. Outro ponto que gostei muito foi o fato da autora tocar em questões mais densas, deixando mensagens reflexivas nas entrelinhas, mas sem deixar a leveza de lado. Fica bastante visível na trama a questão social; de um lado a nobreza pomposa, de outro a classe econômica. Hugo era um personagem totalmente intolerante nesse quesito, ele não suportava a aristocracia e não se importava em deixar isso bem declarado. Esse foi um dos empecilhos encontrados por ele e Gwen, e para que conseguissem ficar juntos, precisariam aprender a ceder, superar o orgulho, deixar seus conceitos de lado e entrar um no mundo do outro.


"A vida era um pouco como caminhas numa corda bamba fina e desfiando, sobre um abismo profundo com rochas pontiagudas e alguns animais selvagens esperando no fosso. Era perigoso, e empolgante."

Uma proposta e nada mais é uma obra graciosa, cativante e inesquecível que roubou o meu coração de uma maneira única. A trama fala sobre seguir em frente, sobre recomeços, sobre se permitir, se aventurar, se dar uma nova chance. Fala sobre amizade, companheirismo, família, união, perseverança e amor. Retrata um amor verosímil, maduro, prudente, racional e profundo. Fala sobre encontrar um amor que acalente e transmita paz, que preencha a alma e que transborde o coração.


"Todos nós precisamos ser amados, Gwendoline, de uma forma plena e incondicional.Mesmo quando carregamos o fardo da culpa e acreditamos não merecer amor. A verdade é que ninguém merece. Não sou religioso, mas acredito que é disso que tratam as religiões. Ninguém merece, mas ao mesmo tempo, todos nós somos dignos de amor."

Terminei a leitura do livro com aquele misto de despedida e saudade. Queria mais e mais de Gwen e Hugo, e foi difícil de desapegar da história. Espero que eles apareçam nos próximos livros para que eu possa matar a saudade. E por falar em próximos livros, não vejo a hora de tê-los em mãos. Os personagens dos clubes dos sobreviventes são tão instigantes quanto Hugo foi, e estou super empolgada para me aventurar em suas histórias.

Acho que já me estendi demais, né gente?! Então, eu vou ficando por aqui, mas nãos antes de deixar essa dica para vocês: LEIA, esse livro pode te arrebatar de várias maneiras possíveis, assim como aconteceu comigo. Até a próxima!



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Sobre o autor:

Mary Balogh nasceu e foi criada no País de Gales. Ainda jovem, se mudou para o Canadá, onde planejava passar dois anos trabalhando como professora. Porém ela se apaixonou, casou e criou raízes definitivas do outro lado do Atlântico.

Sempre sonhou ser escritora e tinha certeza de que, no dia em que escrevesse um livro, ele seria ambientado na Inglaterra do Período da Regência. Quando sua filha mais nova tinha 6 anos, Mary finalmente encontrou tempo para se dedicar ao antigo sonho. Depois de três meses escrevendo na mesa da cozinha, a primeira versão de sua obra de estreia estava pronta. Publicada em 1985, deu a Mary o prêmio da Romantic Times de autora revelação na categoria Período da Regência. Em 1988, depois de vinte anos de magistério, ela passou a se dedicar apenas aos livros.

Hoje Mary Balogh é presença constante na lista de mais vendidos do The New York Times e vencedora de diversos prêmios literários.








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