Em Nada escapa a lady Whistledown, a cronista eternizada por Julia Quinn continua a revelar os acontecimentos mais apimentados da temporada londrina. Suas colunas são o fio condutor das quatro histórias que formam esta encantadora e divertida coletânea.

Há tanto a ser dito sobre o baile oferecido por lady Trowbridge, em Hampstead, que esta autora não teria como contar tudo em só uma coluna...

Crônicas da sociedade de lady Whistledown, maio de 1813

Julia Quinn encanta...A alta sociedade está em polvorosa, afinal a debutante mais promissora da temporada foi rejeitada por seu pretendente... apenas para ser conquistada em seguida pelo charmoso irmão mais velho do canalha que não a quis.

Suzanne Enoch fascina...Um futuro noivo fica sabendo que o comportamento escandaloso de sua bela prometida foi parar na coluna de lady Whistledown e volta correndo para Londres com o intuito de ganhar o coração da moça de uma vez por todas.

Karen Hawkins seduz...Um conhecido libertino tem sua amizade mais antiga e seu coração postos à prova quando uma adorável dama se encanta por outro cavalheiro.

Mia Ryan delicia...Uma jovem é despejada da própria casa por um detestável – embora charmoso – marquês que pretende tomar posse não apenas do imóvel, mas também de sua antiga moradora.

Ficha Técnica:
Páginas: 320 | Gênero: Ficção; Romance de Época; Literatura Estrangeira | Formato: Impresso; Digital | Edição: 1ª | ISBN: 9788580418262 | Editora: Arqueiro | Idioma: Português |  SKOOB


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Que leitura gostosa, minha gente! Essa coletânea encantadora, que conta com quatro contos, reúne quatro divas do romance de época: Julia Quinn, Suzanne Enoch, Karen Hawkins e Mia Ryan. Cada conto aborda um casal diferente, mas essas histórias acabam se entrelaçando naturalmente, seja através de um personagem, de uma situação, de um lugar, de um evento. Como plano de fundo temos a bela Londres, que vem enfrentando um inverno tão rigoroso, que até o Rio Tâmisa congelou, atraindo muitos curiosos e sendo palco de muitos encontros.

E quem dá ritmo ao enredo é a icônica lady Whistledown, que com sua língua afiada e seu olhar atento nos conduz por essas histórias através de seus comentários atrevidos e espirituosos a cada início de capítulo. E, para mim, ela é um show à parte, a melhor personagem; sua presença abrilhanta ainda mais a obra. 

Agora vamos falar dos contos, que me encantaram imensamente, cada qual à sua maneira. Vou ser a mais breve possível, não quero dar muitos detalhes sobre eles para que vocês possam ir desvendando-os por si mesmo, assim a experiência fica mais gostosa. Mas, uma coisa eu garanto, é impossível não se encantar por esses casais. ❤


Em Um Amor Verdadeiro, de Suzane Enoch, conhecemos a espirituosa Lady Anne Bishop e o determinado Maximilian Trent, o marquês de Halfurst. Eles foram prometidos um ao outro quando ainda eram crianças, mas nunca mantiveram nenhum contato no correr dos anos. Anne não aceita o fato de ter que se casar com alguém que não conhece, que nunca se dignou a lhe enviar um mísero bilhetinho e que, principalmente, more no interior, em Yorkshire, um lugar onde ela, definitivamente, nunca colocará os pés.

Acontece que Anne sempre despertou o interesse de muitos jovens; cartas e convites para eventos nunca lhe faltaram, e ela sempre manteve amizades masculinas. Mas devido a uma brincadeira mal interpretada, a jovem foi parar na coluna de Lady Whistledown, e seu comportamento "escandaloso" acabou chamando a atenção de seu prometido. Sendo assim, o marquês de Halfurst resolve que está na hora de ir atrás de sua noiva e dar andamento ao casamento. No entanto, essa tarefa não será nada fácil, já que Anne não está disposta a entregar os pontos assim tão facilmente.


"Não importava o que ela dissesse, eles pertenciam um ao outro, e não apenas porque estava escrito em um velho pedaço de papel."

Esse foi o meu primeiro contato com a escrita de Suzane e não poderia ter sido melhor. Me apaixonei pela dinâmica entre o casal e pelo amor que aos poucos foi nascendo entre eles, me diverti com as façanhas de Anne e me rendi a determinação do marquês. Para mim foi um dos melhores conto da coletânea, e quando acabou eu queria mais, muito mais. Sem duvidas, virei fã da Suzane.


"(...) No que dizia respeito a Anne, porém, estava disposto a fazer praticamente qualquer coisa. Se ela desse um passo em sua direção, ele caminharia mil quilômetros por ela."


Na sequência, temos o conto Dois Corações, de Karen Hawkins. Mais uma estreia para mim, essa foi a primeira obra que leio da autora. Nesse conto temos o bom e velho clichê: o amor que nasce entre melhores amigos. Elizabeth Pritchard é uma dama fora do comum. Uma mulher independente, inteligente, excêntrica, com tino para os negócios e que não liga para o que dizem dela. Ela era dona da própria vida, das próprias decisões, e tinha ao lado dois grandes amigos, os irmãos Margaret e Royce. Liza estava satisfeita com o que tinha, até se dar conta de que o tempo estava passando e ela já não era nenhuma garotinha, e a ideia de arrumar um marido vinha povoando sua mente. Até que um pretendente aparece.

Enquanto Margaret apoia a amiga a arrumar um marido, afinal, já passou da hora, o irmão fica horrorizado com a ideia de sua amiga se casando. Royce era um libertino declarado e a palavra casamento não existe em seu vocabulário. Logo, se sua melhor amiga se casar, com quem ele dividiria suas façanhas e seus segredos? Ela não teria mais tempo para ele! Por isso, Royce estava determinado a tirar essa ideia da cabeça da amiga, e no processo, melar os planos de um possível matrimônio. Claro, Royce poderia jurar que era somente o medo de perder a amiga, mas, quanto mais ele tenta se convencer dessa afirmação, mais ficava claro que seus sentimentos iam muito além disso. Sem querer, o amor já estava aflorado dentro do coração desse libertino...


"E, naquele momento, alguma coisa mudou. Liza deixara  de ser uma amiga querida, protegida, para se transformar uma uma mulher desafiadora ao estremo. Um mulher que, para sua profunda consternação, ele desejava com todas as suas forças. Desejava-a tanto que chegava a doer."

O que eu mais gostei desse conto foi da personalidade de Elizabeth, gosto muito de personagens femininas que sabem o que querem, que tenham opinião e que sejam independentes. E Liza é desse jeito! O romance em si não foi um dos meu preferidos, mas a leitura foi prazerosa e muito descontraída. 


O penúltimo conto fica por conta da autora Mia Ryan. Em Uma dúzia de beijos vamos conhecer a doce e tímida Caroline Starling, uma jovem que foi se apaixonar logo pelo homem por quem nutria um certo rancor. O homem em questão é Terrance Greyson, um primo distante de seu falecido pai, o marquês de Darington. Com a morte do antigo marquês, Terrance herdou seu título e suas propriedades, e, sem nem mesmo se abalar, despejou Caroline e a mãe da propriedade em que viviam. Não é para menos esse ressentimento todo, não é mesmo?

Mas agora, anos depois desse episódio, o novo marquês de Darington decide retornar a Londres para escolher uma esposa. E justamente por quem que o homem foi se encantar? Sim, por ela mesma: Caroline! Acontece que Terrence não era muito bom em demonstrar o que sentia e o que queria, ele era um homem rústico e de poucas palavras – literalmente –, que pensava mais do que falava, e quando o fazia, era direto e nem sempre muito polido. E, por isso, tinha uma certa fama de grosseiro. Isso incomodava Linney, além do fato já mencionado anteriormente, mas não tinha como negar que a beleza do marquês a fascinava. Daí em diante você já pode imaginar o que vai dar, né?! (rs).


"Agora simplesmente vou dizer que a amo. (...) Sinto pela senhorita algo que nunca senti por outra pessoa, eu sei, de todo o coração, que desejo senti-lo para sempre."

Bem, Terrence pode não ser muito bom em falar, mas em escrever... Ah, apesar do seu jeito fechado,  ele me conquistou imensamente. Na verdade, ambos me cativaram, tanto individualmente, quanto como casal. Para mim o conto só teve um ponto negativo: acabou rápido demais. Amei a escrita da Mia e a maneira com que ela me manteve cativa na história. Mais uma autora estreando na minha estante (rs)!


E para fechar a obra com chave de ouro, temos Julia Quinn com o conto Trinta e seis cartões de amor. Aqui vamos nos encantar com um romance que aconteceu totalmente sem querer. A linda Susannah Ballister foi uma  das debutante mais promissoras da temporada, e sua beleza não passou despercebida pelo lorde Clive Mann-Formsby. Claro que Susannah ficou extasiada em ter a atenção rapaz, já que ele era um bom partido, além de ser belo e popular. Todos acreditavam que dali sairia um casamento, já que todos os indícios apontavam para isso, no entanto, de uma hora para outra tudo mudou. Clive pediu sim alguém em casamento, mas não foi Susannah, o que deixou a jovem com o ego ferido e com o nome na boca do povo. Ela já não aguentava mais todo o falatório e os olhares de compaixão, seu mundo, definitivamente, estava um caos total.

O irmão de Clive, David Mann-Formsby, o conde de Renminster, nunca foi muito a favor da união dos dois. Não que ele tivesse algo contra a jovem, mas esperava que Clive se unisse a alguém de uma classe social mais elevada, e quando essa oportunidade surge, ele mais do que apoia a decisão do irmão. Acontece que David é um homem justo, e não gostou de ver como a Susannah estava sendo tratada por todos depois de ter sido rejeitada pelo irmão. Então, numa tentativa de ajudar a jovem (e também de limpar sua consciência), o conde resolve lhe dedicar sua atenção para que assim, os outros cavalheiros começassem a "enxergá-la" novamente. No entanto, David não esperava que Susannah fosse mexer tanto com ele. Aos poucos, a jovem foi ganhando cada vez mais espaço em seus pensamentos e em seu coração.

Ah, esse conto é um amorzinho! Um amor que nasceu acidentalmente e se transformou em algo forte e irresistível. Julia Quinn sabe como fazer o leitor suspirar de puro deleite. Amei! ❤


"Ele a beijou até ela achar que desmaiaria de desejo.
Ele a beijou até ela achar que desmaiaria de falta de ar.
Ele a beijou até que ela não conseguisse pensar em nada além dele, não conseguisse ver nada além do rosto dele em sua mente e até que não quisesse mais nada além do sabor dele em seus lábios... para sempre."


Nada Escapa a Lady Whistledown é uma obra divertida e apaixonante. Julia, Suzanne, Karen e Mia mostraram estar em total sintonia, foi uma verdadeira explosão de talento. Amei do começo ao fim, suspirei apaixonadamente e desejei fortemente mais e mais páginas. Esse livro vai ficar guardadinho na minha estante e no meu coração. Leitura mais do que recomendada!




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